Agradecemos profundamente à equipe do Centro de Parto Normal Marieta de Souza Pereira pelo Acolhimento, Respeito, Solidariedade e Alegria com que fomos recebidas durante a assistência ao parto de Laura Silveira de Oliveira e ao nascimento de Malu, na última quinta-feira (25/10/2012).
Agradecemos especialmente:
Às Técnicas de Enfermagem Jaqueline e Dijean pela delicadeza e perícia na assistência;
À Enfermeira Obstetra Suzana, pela receptividade, ao abrir as portas da casa, com o coração aberto;
À Enfermeira Obstetra Gertrudes, pela alegria e sabedoria prestadas na assistência ao parto e ao acolhimento de Malu;
À Dra. Marilena, pela delicadeza, objetividade, perícia e presteza necessárias à assistência ao parto e ao pós-parto imediato;
À jovem médica, cujo nome não registramos, devido às emoções do momento, que entrou na história, auxiliando e vibrando positivamente.
Foi maravilhoso estar com vocês todas! Muitíssimo obrigada!
Que esta Casa siga firme no seu propósito de Acolhimento e Humanização do Nascimento!
Um grande abraço!
Mary Lucia Galvão - Enfermeira Obstetra e Parteira
Liliana Silveira - Doula
Relatos de partos e de outras peculiaridades do universo materno, acompanhados em Salvador/BA e arredores, pela parteira e enfermeira obstetra Mary Galvão e sua equipe.
Deixe uma mensagem!
Suas opiniões e comentários serão bem vindos!
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
RELATO DO PARTO DE MANUELA BOSQUIROLLE E NASCIMENTO DE ZAION
Manuela é
paranaense, bióloga que veio para Bahia há cinco anos para trabalhar no Projeto
Tamar. Ela conheceu um baiano – Adolfo e se apaixonaram a ponto de querer um
fruto desse amor.
Manuela veio
me procurar com IG de 34 semanas por indicação de Carla Miranda, sua doula. No
nosso primeiro encontro percebi que se tratava de uma mulher forte e
determinada e sabia exatamente os motivos que a faziam optar por um parto
domiciliar. Segura e decidida ela se comprometeu a retornar uma semana depois
com seu parceiro para oficializar o contrato de assistência ao parto domiciliar.
Quando retornou com Adolfo, observei e constatei que se tratava de um casal
plenamente grávido e feliz!
A condição
emocional da gestante, me tranquilizou porque sabemos que o parto é muito mais
tranquilo quando a gestante tem o apoio efetivo de seu parceiro. Durante o
período de acompanhamento pré-natal (junho, julho e agosto) fui percebendo que
Manuela era muito cuidadosa com sua alimentação – totalmente naturista e estava
em perfeito estado de saúde. A data provável do parto estava prevista para 13
de agosto; no calendário lunar ela completou 10 luas em 16 de agosto. Com tudo
já organizado em sua casa novinha em folha, comprada para celebrar este grande
momento da união amorosa. Ela falava com muita vibração sobre a compra da casa
nova em Arembepe – comunidade litoral a 40 km de Salvador. Quando fui conhecer
sua casa observei que a família, com a chegada de sua irmã Luiza, que veio para
colaborar no período do parto, estava muito feliz com a aproximação do parto de
Manuela e nascimento de Zaion .
Nesta mesma
semana também chegou a Salvador uma parteira amiga, Marilanda, que mora no Rio
de Janeiro onde atua na assistência ao parto domiciliar. Combinamos com a
gestante a realização de um ritual de dança do fogo, de origem indígena, que
promove uma transmutação de energia através de movimentos rítmicos em volta da
fogueira, para limpar a aura da mãe que vai receber o novo espirito na terra.
Aprendi este ritual no Equador onde participei juntamente com Suzana, amiga
xamã que trabalha nesta perspectiva.
Na noite
combinada para o ritual chegamos (eu, Carla e Marilanda) e encontramos Manuela,
Adolfo, Luiza e sua irmã Mariela que havia chegado um dia antes, para passar o
final de semana com eles. Um pouco mais tarde chegaram Chenia com sua filhinha
Zaia, que trouxe muita alegria e criatividade para aquele momento especial. A
fogueira já estava arrumada na varanda, o alimento do ritual havia sido
preparado saborosamente por Manuela e eu havia levado arroz doce para os orixás
convidados.
Manu foi
cuidadosamente maquiada por suas irmãs e Zaia cuidou de pintar o barrigão que
foi transformado em uma tela onde ela e as irmãs de Manuela pintaram uma imagem
bastante sugestiva (vide foto)! O ritual ocorreu em clima de muita magia unindo
família e amigos para celebrar a chegada de Zaion.
No dia 15 de agosto a Manuela retornou para uma consulta informando que por motivos familiares as suas irmãs tiveram que retornar a Minas Gerais. Neste encontro percebi um “certo grau de ansiedade” em Manuela que não foi expressado verbalmente. Mas seu comportamento estava diferente. Sua saúde física continuava ótima, mas emocionalmente existia alguma sombra. No dia seguinte Adolfo me confessou por telefone que ela estava irritada. Uma semana depois (dia 22) ela retornou para uma nova avaliação e ao final da consulta, questionou “por que será que não entro em TP” (Trabalho de Parto). Silenciamos por um curto período e ouvimos (eu e Marilanda) atentamente seus relatos e ao final da consulta ela trouxe uma preocupação de sua mãe, que por telefone havia lhe assustado com sua escolha de ter o parto domiciliar. Diante da verbalização do sentimento transferido por sua mãe, achamos muito importante abrir nossa observação da consulta anterior - ela havia mudado de comportamento nestas duas semanas que antecediam o parto. Foi muito interessante ouvir a opinião e impressões pessoais de Manuela a respeito de sua relação com sua mãe que permanece querendo exercer controle sobre as decisões da filha neste momento delicado! Saímos desta consulta confiantes nos resultados positivos da verbalização e elaboração dos sentimentos que Manuela estava vivenciando.
À medida que
as contrações aumentavam em duração e intensidade, Manuela demonstrava mais
determinação de dar continuidade ao processo, embora gemente, ela movimentava-se
livremente com o apoio de Carla que oferecia ajuda, mudanças de movimentos
usando a bola e dona de suas decisões. Com o trabalho de parto em franca evolução,
achamos que era chegada a hora de esquentar a água e colocar as ervas para
aromatização do ambiente. Nesta consciência de observar silenciosamente a
evolução do processo, também percebi o clima intimista que havia se instalado
naquele ambiente. Por volta das 10 horas, vi Carla e Marilanda começarem a
encher a piscina com baldes e caldeirões de água morna. Por volta das 11 horas,
Manuela começou a gemer alto durante as contrações. Às 11:30 fizemos o primeiro toque vaginal para
avaliação das condições do colo: apresentação encaixada no 2º plano de De Lee,
com colo fino e dilatado para 5 centímetros.
Em seguida ela entrou na piscina, ali permaneceu durante uma hora. Às 12:30 horas
contrações se tornaram muito dolorosas e Manuela começou a gritar muito alto.
Esses gritos chamaram atenção da vizinhança que vieram e gritaram no portão: “tão
precisando de ajuda ai?!”. Questionavam o motivo daqueles gritos. Adolfo foi
até o portão para tranquiliza-los e informando-os que sua esposa encontrava-se
em TP sendo acompanhada por duas parteiras e que a melhor maneira de receber
ajudar era se eles fizessem uma oração. Ouvir alguém perguntar lá fora para o
Adolfo, por que não leva ela para o Hospital?
A partir desta interferência externa, Manuela
que já estava bem focada no seu processo, ativou seu lado mental (neocórtex) e
mudou totalmente de comportamento. Agora ela estava mais atenta aos detalhes a
sua volta, seu instinto materno lhe ativou o neocortex e o processo foi
abruptamente alterado. A partir daí as contrações se espaçaram muito e ela
muito cansada, depois de horas de franco trabalho, demonstrou muita irritação.
Decididamente levantou-se de seu cantinho, aos pés da sua cama e retornou para
a piscina, colocada na sala. Entrou na água e ficou pensativa por alguns
momentos. Marilanda me chamou no quintal para uma conversa de avaliação das
alterações do processo. Chamamos Carla para participar de nossa conversa
reservada. E toda equipe chegou à mesma conclusão, a evolução do parto sofreu
uma interrupção. Precisávamos ajudar Manu retornar para seu processo. Pensamos
em aproximar Adolfo a Manu. Conversamos com ele reservadamente e sugerimos que
ele entrasse com ela na piscina. Fomos as três para a varanda e ali
permanecemos por um período de uma hora. Quando ouvimos os gemidos de Manuela,
recuperando o seu padrão de contração da fase ativa, aí, retornamos a sala.
Manuela havia retornado o processo com gemidos durante as contrações, agora bem
fortes, ela continuava na piscina chorando muito e expressando alto grau de
cansaço. Em clima de apoio e compaixão, Adolfo levantou-se e pegou o violão,
sentou-se em frente a Manuela e começou a tocar e cantar músicas que resgatavam
memórias afetivas do relacionamento, foi um momento muito especial desse
processo.
Por volta das 15 horas, ela sentiu necessidade
de se recolher em um cantinho mais reservado, indo para o banheiro. Lá
permaneceu de cócoras no chuveiro com Carla por uma hora. Esse período foi
decisivo para avançar o processo porque logo depois dela retornar a seu quarto,
avaliamos e constatamos que o colo estava com
7 cm, de consistência espástica. Os BCFs do bebê continuavam firmes “tumtumtum...”
Ela e Adolfo faziam questão de ouvir o coração de Zaion, atentamente. Isso foi
bem legal para mantê-los tranquilos e seguros com o bem estar de seu filho.
De novo o
ambiente estava acolhedor, sentada na sala por quase duas horas, estive bem
consciente para observar o clima que havia se instalado ali naquele espaço
sagrado. Quando Manuela retornou do banheiro às 16 horas, gritando muito e já
exausta. Marilanda sugeriu uma reavaliação das condições do colo foi quando ela
preferiu deitar-se em sua cama porque o cansaço e esgotamento eram aparentes.
Adolfo em atitude de companheirismo, não saía de perto dela e pedia
fervorosamente a Deus para aliviar as dores de sua mulher. Observamos calmamente Manuela procurando um
cantinho da casa para se acomodar, foi para o seu quarto e se agachou aos pés da
cama. Percebemos que havia chegado a hora de organizar o cantinho para o grande
momento, a chegada de Zaion, para que ela se sentisse segura o suficiente para
liberar sua cria. Calmamente fomos dando estrutura para o cantinho escolhido.
Neste espaço de tempo a dilatação estava completa, mas o período expulsivo,
embora com duração de apenas 1 hora (das 16 e 17 hrs), foi muito DOLOROSO para
Manu, porque ela havia chegado a exaustão de sua força motora e de sua
tolerância energética.
Ao final ela
verbalizava “Não tenho mais força”. E nos olhava com expressão de pedido de
ajuda, mas nós nos mantivemos sempre firmes no propósito de fazê-la acreditar
que ela podia continuar. Este período foi muito difícil para o pai porque sua
sensibilidade e amor por Manuela partia seu coração. Quando Zaion coroou ele
chorou muito e entrando em estado de graça não perdeu um detalhe do ritual de
nascimento de seu filho. Vivenciou intensamente todas as emoções que o rito lhe
proporcionou. Adolfo deixou seu coração aberto para permitir a fluidez desta
energia sagrada. Manuela teve alteração de consciência, mantendo-se firme o
suficiente para atravessar a ponte que permite conhecer as profundezas da alma.
Rasgando a garganta de tanto gritar, ela abriu seu corpo para dar passagem à
parte mais sagrada de si mesma, dando mais sentido ao amor.
Saindo de suas
entranhas, chega Zaion para os braços de sua mãe que lhe recebeu as 17:00 de 23
de agosto de 2012, ao por do sol do inverno de Arembepe, através de seus gritos
e do choro de seu pai que lhe recebe nos braços plenos de amor! Lindo, saudável, pesando 3.200 e medindo 47
cm. Com a testinha do pai, os olhos da mãe e o cabelo claro do avô materno
segundo constatação dos próprios pais, testemunho legítimo da continuidade de
nossos laços consanguíneos. Mais um parto, mais um nascimento de uma nova
família que escolheu experienciar os limites da
capacidade daqueles que acreditam que tudo é possível quando acreditamos em
nossas escolhas. O vínculo foi automaticamente construído à base de muita
ocitocina, endorfinas e lágrimas de felicidade.
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Roda de Diálogos Paternidade: experiências e questões
A Uneb,
através do projeto de Extensão Acolhendo a Gestação convida a todos
interessados pelo tema, a participarem da Roda de Diálogos Paternidade:
experiências e questões.
A proposta
visa fomentar diálogos e questões sobre a paternidade, os dilemas decorrentes
das relações estabelecidas por esta condição. Não
há uma intenção prévia de apontar diretrizes ou mesmo programas
de
discussões e ações. Estamos diante de um terreno ainda silencioso, obscuro e,
por vezes, movediço, pois refém da força da tradição do comportamento
masculino.
Preferimos
iniciar ouvindo o relato das
experiências daquele
que viveu, vive e viverá o desafio de ser pai a partir do conhecimento da
gestação do(s) seu(s) filho(s).
A
partir da desta roda de diálogos surgirão questões agregadas que podem ser
pontuadas através de algumas abordagens.
Nessa
perspectiva a UNEB através do Projeto Acolhendo a Gestação, convida a todos os
interessados pelo tema a participarem do evento Paternidade: experiências e
questões.
Auditório do
Departamento de Ciências da Vida I – UNEB Cabula.
28 de Setembro de 2012
Programação
De
8:00 h –
08:30 h Recepção
dos participantes
De
08:30 h ás
08:50 h –
Vídeo da campanha pela licença paternidade
De
08:50 h às
09:30 h Abertura
da Roda
Paternidade:
experiências e questões
Mediadores:
Onildo
Reis—Historiador
e pai de Zaya 3
anos
Marcelino
Sampaio—Enfermeiro
e pai de Melissa de 2 anos.
De
09:30 h às
10:00 h –
Lanche
De
10:00 h s às
11:30 h –
Diálogo com participantes
De
11:30 h às
12:00 h -
Encerramento e avaliação dos trabalhos.
Maiores informações
71 3117-2344 | 3117-2461
Falar com Chenia d’Anunciação
Evento gratuito e aberto a todos os
interessados pelo tema.
Emitiremos certificados aos
participantes
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Um pouco sobre amamentar
Por Liliana Silveira
Hoje, ao reencontrar uma amiga
que está vivenciando a maternidade, ao mesmo tempo em que eu, tive a urgência
de colocar aqui um pouco do que venho pensando há algum tempo. Conversávamos sobre
a convivência com os nossos bebês. O meu filhote mais novo está com nove meses
e a filhinha dela com um ano e três meses. Eu, bióloga, doula, assistente de
parteira urbana. Ela, a minha amiga, bióloga e nutricionista. Não somos
mulheres “leigas”, portanto, nas questões da vida, biologicamente falando. Eu,
mais especificamente, sou nutriz (mulher que está em período de amamentação do
filho) pela terceira vez.
Então, dentre outros aspectos da
maternidade, estávamos revelando uma para a outra as nossas observações quanto
às crenças que (talvez secretamente) cultivamos. A principal delas, a
quantidade de leite que produzimos. Distraidamente, em dado momento da conversa
concluíamos, um pouco saudosas, que nos dava muita segurança a grande
quantidade de leite que tínhamos nos primeiros meses dos nossos bebês. Por
outro lado, concluímos também que, aquela produção exagerada de leite, poderia
ser um transtorno, se acontecesse durante um período longo. Atualmente, com
bebês maiores, somos constantemente lembradas por pessoas próximas de que “não
temos mais tanto leite” e que, portanto, “talvez” os nossos filhos não
encontrem leite suficiente no seio... E que, talvez, seja realmente bom para
eles tomar um mingauzinho, ou outro alimento que contenha leite de vaca.
Desde que me tornei mãe, percebo
o quanto somos abaladas por questionamentos do mundo racional, como
“quantidade” e “qualidade”. Em termos de aleitamento, concluí há muito tempo
que devemos fazer exatamente o contrário: apenas deixar rolar... Filhotes
humanos são semelhantes a outros filhotes de mamíferos em alguns aspectos. O
que cabe aqui, das minhas observações com os meus filhos: bebês “sabem”
encontrar leite em seios que estão aparentemente vazios. Como assim? Basta
observar a tranquilidade que eles têm ao mamar. Simplesmente mamam. E a mãe que
estava se achando “meio vazia”, logo sente a movimentação do leite em direção à
boca do bebê. Tudo resultado da sabedoria da natureza. Se o objetivo é gerar a
vida e garantir a sua continuidade, por que faltaria leite para o filhote?
Tenho nas minhas experiências a
recordação de alguns momentos críticos para mães que amamentam. O primeiro
deles, ainda nos primeiros dias do bebê, quando produzimos apenas o colostro. O
colostro é um líquido transparente, riquíssimo em anticorpos (substâncias que
protegem o organismo de doenças), que sai em pequeníssimas quantidades do seio
materno. Segundo informação que obtive recentemente, a cada mamada o
recém-nascido recebe algo em torno de uma colher de chá do colostro. Daí, ele
precisar passar quase que todo o tempo literalmente grudado à mãe nos primeiros
quinze dias após o nascimento. Além de receber o colostro, o bebê PRECISA do
contato com o corpo da mãe, com os seus sons, movimentos e cheiros. Muito além
da necessidade de mamar muito, o bebê está se adaptando ao mundo exterior,
saído de ambiente escuro, quente e apertado, o útero materno. Lá dentro, era
embalado pelos movimentos da mãe e estava fisicamente delimitado (protegido)
pelo corpo materno. É preciso acolher o bebê. Dar para ele muito colo, carinho
e peito de mãe.
No período pós-parto, é preciso
que a mulher tenha um ambiente tranquilo a sua volta. Nada de relógios,
cronômetros e julgamentos. Ela precisa sim, estar bem para estar disponível
para o seu filhote (filhote mesmo, em termos animais, viscerais). Esse grude
entre mãe e filho é essencial nos primeiros meses. Depois vai folgando, aos
poucos, ao longo do primeiro ano de vida do bebê.
Quando uma mãe se sente insegura,
assustada, deprimida, preocupada e desamparada provavelmente terá alguma redução
na sua produção de leite. Quanto mais esses sentimentos se intensificam, geram
tensão, que bloqueia a liberação de hormônios (prolactina e ocitocina,
principalmente) importantíssimos para a produção e liberação do leite. Além
disso, neste momento tão intenso e delicado está acontecendo a formação do
vínculo entre a mãe e o seu bebê. Eles precisam verdadeiramente estar juntos.
Outro “probleminha” dos primeiros
dias do pós-parto, os bicos dos seios rachados (ou fissurados). Se acontecer,
geralmente é porque o bebê está abocanhando o bico do seio de forma
“incorreta”, afinal, ele também está aprendendo a mamar. Ajuda observar como
estão os lábios do bebê durante as mamadas. Eles devem ser completamente
visualizados, como as bordas de um sino em volta da aréola do seio. E toda a
aréola (a parte escura do seio), ou quase toda, deve estar dentro da boca do
bebê. As rachaduras doem muito, podem até sangrar. Aconteceu comigo nos
pós-partos anteriores. É preciso ter força de vontade e suportar a dor durante
as mamadas por uns cinco dias enquanto os seios cicatrizam. Não precisa parar
de amamentar, a não ser que seja, de fato, insuportável. O próprio leite atua na cicatrização. Após
cada mamada a mãe deve espalhar o leite sobre os mamilos e esperar secar, com o
sutiã aberto. Se for possível secar ao sol, melhor ainda. Durante o banho, e
apenas durante o banho, lavar somente com água. Funciona mesmo, melhor do que
qualquer pomada ou creme cicatrizante. Enquanto não cicatriza, é bom ter alguém
por perto, de quem apertar a mão e que possa lhe servir um copão bem cheio de
água. Amamentar dá muita sede, e beber água na hora da dor, além de satisfazer
a sede, distrai a atenção, dá sensação de alívio.
Depois de passados mais ou menos
quinze dias do nascimento, o leite materno está sendo produzido em abundância. Tanta
abundância que, pela minha primeira experiência (há doze anos), concluí que
poderia amamentar tranquilamente dois bebês. Neste período, os seios costumam
ficar muito cheios e endurecidos. A pele fica muito esticada (às vezes brilha)
e quente. O bebê pode não conseguir consumir todo esse leite (e geralmente não
consome). A mãe fica aflita, pois os seios podem ficar doloridos, e os bicos,
endurecidos. Daí, o bebê não conseguir abocanhar o seio para mamar. É chegado o
momento de ter atenção e cuidado redobrados. É bom esvaziar os seios após as
mamadas, pois o leite acumulado pode resultar em mamas endurecidas e doloridas
(ingurgitadas), ou em mastite, um processo inflamatório. O leite extraído pode
ser doado para uma maternidade, pois muitos bebês prematuros precisam de leite
enquanto suas mães ainda estão a caminho de uma produção maior, que dê conta de
nutri-los e fazê-los ganhar o peso necessário. A ordenha (é ordenha mesmo,
igualzinho às outras mamíferas) das mamas pode ser feita manualmente ou com
bombinhas específicas, manuais ou elétricas.
Quando bebê está maior, entre o
segundo e o quarto mês, mais ou menos (deve ser assim, “mais ou menos”,
“geralmente”... pois, não somos máquinas!), acontece um ajuste entre a produção
de leite e a demanda do bebê. A mãe percebe que os seios não ficam mais tão
pesados e endurecidos. Às vezes, o período coincide com algum acontecimento
estressante, ou que mudou a rotina do bebê. E ele passa um ou alguns dias irritado,
choroso. O primeiro pensamento é que o bebê está chorando porque o leite está
acabando. E a angústia, inevitavelmente, se instala. Reside aí o perigo de
ceder à tentação de oferecer algumas mamadeiras com leite artificial.
Infelizmente boa parte dos pediatras conhece muito pouco do manejo da
amamentação. Não sabem o que orientar e terminam sugerindo (ou receitando, o
que é bem pior) algumas mamadeiras de leite artificial, para complementar a
alimentação com leite materno. O problema é que o leite artificial é difícil de
digerir, e o bebê que antes mamava em intervalos de uma ou duas horas, passa
cerca de quatro horas sem sentir fome. Para algumas pessoas próximas pode ser
até interessante perceber o bebê tão “tranquilo” ou dormindo por tanto tempo. Mas
o que acontece é que as horas adicionais sem mamar ajustam a produção da mãe
para menos leite. Desse modo, serão necessárias cada vez mais mamadeiras de
leite artificial. Gradativamente (mas não muito devagar), o corpo materno se
ajusta a produzir cada vez menos leite, pois, não está sendo solicitado através
da sucção do bebê no peito. Resumindo, o corpo da mãe entende que o bebê está
mamando menos e, portanto, deve produzir menos leite. Simples assim.
As mamadeiras são bonitinhas,
coloridas, direcionadas para meninos ou meninas. O leite artificial ilude pela
sua brancura e quantidade, pois pode ser preparado na quantidade desejada.
Ilusão mesmo. Diante do leite materno, perde. E muito. Além de todo o valor
nutricional e imunológico do leite materno, é bom lembrar que ele é específico
para cada bebê, existe a importância da relação entre o bebê e o seio da sua
mãe. O valor maior está naquelas horas intermináveis de aconchego, carinhos e
conversinhas amorosas de amamentação.
É preciso acreditar que é possível,
pois, ao contrário do que mostram as propagandas, amamentar não é fácil. Tem que querer e ter fé. Buscar
ajuda e ouvir com o coração aberto, pois ele é capaz de perceber conselhos
equivocados. É importante lembrar-se sempre que, independente do problema que
te aflige, tem alguém que pode te ajudar. Mulheres que já amamentaram ou que
estão amamentando e que gostam de amamentar são as melhores conselheiras. É que
costumamos guardar registros dos momentos preciosos de nossas vidas, e a mulher
que tem prazer em amamentar, a cada filho que tem, guarda as experiências como
um aprendizado. Tem prazer em compartilhar o que sabe com as que estão
precisando de uma ajuda. Amamentar um bebê é algo complexo, mas, ao mesmo
tempo, também é simples como as coisas da natureza. As respostas nem sempre
estão prontas, é preciso olhar a situação, refletir sobre ela, buscar
informações nas trocas de experiências com outras mães. E seguir amamentando, sem desistir!
Amamentar ou aleitar um bebê é
uma prática da Vida, que insere a mulher no mundo natural. Desperta ou
fortalece o feminino (talvez) adormecido. A partir daí, ao olhar para outras
mulheres, é possível perceber que compartilhamos dos segredos de um universo
particular e sagrado.
Um grande abraço materno!
terça-feira, 15 de maio de 2012
Profissionais de saúde discutem consequências decorrentes do pós-parto
Olá,
Saiu no site da UNEB uma matéria sobre o evento realizado no dia 11 de maio.
Para ler a matéria, é só clicar AQUI.
Saiu no site da UNEB uma matéria sobre o evento realizado no dia 11 de maio.
Para ler a matéria, é só clicar AQUI.
terça-feira, 8 de maio de 2012
Maternidade: aspectos psicológicos e emocionais
RODA DO FEMININO
Maternidade: aspectos psicológicos e emocionais.
O processo da gestação
desencadeia algumas alterações hormonais provocando variações do comportamento
emocional que requer uma atenção especial.
Acrescido a estas
mudanças, a gestante também enfrenta situações para as quais não está preparada
emocionalmente gerando a necessidade de informações e apoio profissional. A
escolha da equipe para atender as demandas desse período, os desejos do casal,
tipo e local de parto, cuidados com o bebê e tantas outras atividades preenchem
o período da gestação.
Só quando já estão em
casa, muitas mães se dão conta, que não estão preparadas para a nova rotina da
maternidade, uma vez que o pós-parto gera uma demanda para além dos cuidados
com o bebê, amamentação, mas especialmente com o autocuidado.
Nesse contexto
convidamos você para participar dessa roda de conversas, onde iremos
identificar as principais mudanças físicas, psicológicas e emocionais ocorridas
durante o pós-parto, período em que ocorrem as maiores dificuldades de
adaptação à maternidade.
PROGRAMAÇÃO
14:00— 14:30
Acolhendo aos participantes
14:30—15:00
Exibição do documentário Shantala de Frédérich
Leboyer
15:00— 16:00
Roda de Conversa— Nasceu e agora? Maternidade para além do gestar e parir.
Coordenadora da mesa: Mary Lúcia Galvão – Enfermeira Obstetra e Coordenadora do Serviço
Médico Odontológico de Saúde da Uneb – SMOS.
Obstetra—Clínica SOMA e Centro de Parto Normal
da Mansão do Caminho
Psicóloga e docente da Unijorge
Chenia d’Anunciação
Doula
(www.doulasalvador.com.br)
Profª Maria da Luz Aguiar O. Campos
Enfermeira e Docente da UNIME
Profª Ms. Ana Regina Graner Falcão
Fonoaudióloga e Docente do DCV I - UNEB
Enfª. Jaine dos Santos Lima
Enf.ª residente do programa de Residência Multiprofissional
UNEB
16:00-18:00
Plenária: Entrando na roda do feminino
Sorteio de um Sling Umbiguinho (www.umbiguinho.com.br)
Avaliação da Roda
UNEB – CAMPUS I CABULA – AUDITÓRIO
-Departamento de Ciências da Vida – DCV I
DATA
11 de maio de 2012
HORÁRIO
14:00 às 18:00
PÚBLICO ALVO
Profissionais de saúde, mães, pais, avós e todos
interessados no debate.
ORGANIZAÇÃO
SMOS – Serviço Médico Odontológico de Saúde
Mary Galvão e Mirian Moes
ALDEIA MATERNA - Círculo de Apoio à Maternidade
APOIO
PROEX/GEEX
Hortência Kalile Cedraz – Estudante de Fonoaudiologia
Marcelino Sampaio – Estudante de Enfermagem
Gabriela Cedraz – Estudante de Enfermagem
Maiores informações pelos telefones:
3117-2344
ou 3117-2340 falar com Cláudia ou Alexandra
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
O Nascimento de Pedro
Por Paula Araujo
Naquela manhã Acordei e sentia uma disposição enorme, era a primeira visita domiciliar que receberia de Mary e Paula. Chamei meu marido para ir ao mercado comprar algumas coisas para a casa e lembro que o dono do mercado ainda brincou que estava demorando e eu lhe disse: Não está não, até o final do mês ele chega. Voltei para casa e tudo correu como de costume até depois que encaminhei meu filho Lucas para a escola, a partir daí comecei a perceber uma dores bem incomodas, era o inicio do trabalho de parto. Continuei meu afazeres, ainda preparei um bolo para as meninas. Quando fui ao banheiro percebi um pouco do“tampão” comentei com Dil (meu marido) que me recomendou –Elas estão vindo aí, elas examinarão. Ok ! Tomei um banho coloquei um vestidinho leve – branco, e me pus a esperar.
Como que de repente me dirigi à sacada, quando as avistei chegando, acenei sorrido confortada, aliviada e segura. Como vc está? Perguntou Mary. Acho que ele chega hoje! Respondi informado que já estava em trabalho de parto. Subimos e quando estávamos no sofá Mary me perguntou –você sempre sua assim? Eu estava suando bastante afinal meu anjinho já iniciara sua aventura no trajeto para este mundo aqui fora. Paula logo ficou preocupada pois não haviam trazido nada, então assim que meu marido chegou Mary pediu que ele fosse ao consultório pegar os materiais para o parto.
Enquanto meu bem estava fora, Mary e eu aproveitamos para conversar um pouco, estabeleceu-se então um vinculo de confiança que não havíamos tido tempo antes para desenvolver, o trabalho de parto evoluía bem, as contrações aumentam a cada período que passava. Estava tranquila, preparada, sabia o que me esperava e tudo que queria era chegar ao momento de ter meu anjinho nos braços.
Neste intervalo de tempo, minha mãe chegou em minha casa, sem saber que eu já estava em trabalho de parto - uma escolha nossa pois não queria nenhum tipo de tensão e inevitavelmente uma mãe fica tensa e preocupada quando chega a hora de sua filha dar à luz, foi engraçado pois Mary e eu conseguimos enrolar ela e ela foi embora – Mãe, Mary vai ficar aqui comigo porque estou sentindo um pouco de cólica, pode ir tranquila, se houver alguma coisa te aviso, disse eu. Mal sabia ela que horas após me veria com seu netinho nos braços.
Quando meu bem chegou, pronto, agora sim podia me entregar completamente, disse a ele –Não sai mais, fica aqui comigo! Ele me acariciou tão carinhosamente, sua presença era muito fortificante. Naquele momento sentir vontade de me ajoelhar no chão da sala, então o fiz, e ele ajoelhou-se junto comigo, meu companheiro, meu cúmplice!
Paula veio até mim me perguntou com sua voz suave se eu queria massagem, eu disse que sim e fomos para o meu quarto. Neste momento meu anjo maior – Lucas, chegou trazido pela avó que o havia pegado na escola, então o chamei no quarto e lhe expliquei que seu irmãozinho iria chegar.
Depois de alguns minutos, enquanto estava de joelhos na cama procurando posições que me deixassem confortáveis durante as contrações, minha bolsa estourou. Pedro estava cada vez mais perto!
A partir de então me despi e me enrolei num lençol orientada por Mary, para que pudesse ficar mais á vontade, ela me ofereceu a sopa que preparou com os legumes que cortara enquanto conversávamos mais cedo. Estava boa, mas para mim bastou apenas algumas colheradas, meu corpo não queria mais.
O tempo todo durante o TP procurei me concentrar em mim e no que meu corpo solicitava, sentia a minha respiração profundamente a cada contração,coisa que aprendi durante minhas aulas de yôga pré-natal, embora tenha praticado apenas um mês, Anne - a professora de yôga, me ajudou bastante na preparação para este momento.
Me dirigi para a segunda sala e pedi que apagassem as luzes da casa e acendessem as velas. Me perguntaram uma primeira vez se queria ir para a água, ainda não era a hora, eu sabia que não. Continuei mais um pouco ali, ajoelhada, debruçada no sofá atendendo ás necessidades do meu corpo naquele momento, que passava por adaptação tamanha para poder dar passagem para o meu neném, naquele instante ali estava confortável. Dil segurava minha mão todo o tempo. Mary e Paula vinham de tempos em tempos me confortar, saber se queria algo...
Quando as contrações passaram para um estagio mais elevado eu pedi para ir para água e fui conduzida ao banheiro onde Mary havia preparado um banho quente á luz de velas na enorme bacia que Dil tanto “rodou para encontrar”no dia anterior, “tadinho” rsrsrs! Estava tudo maravilhoso, as meninas respeitavam meus desejos e meu espaço, a presença delas me passava tanta segurança, me orientavam sem invadir nem intervir no meu momento.
Quando já estava no banho, tive um dos momentos mais lindos o meu parto, foi quando meu anjo maior, meu filho Lucas entrou no banheiro e me disse: Boa Sorte Mãe! E me deu um beijo. Logo em seguida Paula o levou para o seu quartinho onde o distraiu, pois eu já estava no período expulsivo e gemia de dor no banheiro. O carinho e a atenção dela foram muito importantes para ele naquele momento.
Durante o período no banheiro, lembro que na primeira contração Mary me disse: Pode gritar, você já chegou no expulsivo e não chorou?! Isso me deixou tão á vontade para exalar minhas sensações, então me entreguei completamente, esqueci do mundo e gritei, gemi, e isso parecia funcionar como uma válvula de escape para dor. Estava tão entregue que atravessei este período sem grande sofrimento, ainda consegui fazer pose para as fotos entre uma contração e outra, e até brinquei – É nesta hora que agente começa a querer uma cesariana, rsrsrs! Dil e Paula, que ora deixava Lucas para me ver riram bastante, Mary neste momento havia ido buscar mais água quente, ela dizia a todo momento: não pode deixar esse banho esfriar! Até que tive a sensação de algo escorregar dentro de mim foi quando disse maravilhada – Ele está chegando, o bebê tá chegando! Pus a mão em minha vulva e percebi que ele estava perto mesmo.
Fui para o quarto debruçada sobre os ombros de Dil, praticamente carregada por ele, lá Mary e Paula já haviam preparado um cantinho todo especial para nós, toda a casa estava sob a luz de velas. Primeiramente fiquei de quatro no chão, meu amor me perguntou - Você quer alguma coisa? E eu respondi – Quero, o meu filho! Então comecei a chamá-lo - Vem Pedro ! Vem para a mamãe meu filho!
Quando Pedro coroou Mary me orientou a ficar de cócoras, e nos disse: Vamos receber esta criança com tranquilidade para que ela venha em paz! Paula trouxe Lucas e todos juntos assistimos à chegada de meu anjinho! Ah... quão sublime experiência, ao receber meu filho nos braços eu entrei em outra dimensão , era um explosão de sensações que me deixaram fora de órbita por alguns minutos, aquela quenturinha do meu bebê junto ao meu corpo desta vez pele com pele, nossa, o imaginário deu espaço para o real. Mantive Pedro ali grudado comigo enquanto convidava Lucas a vir se juntar a nós, e ficamos ali por alguns segundos, nós quatro juntinhos. Compartilhamos toda a felicidade e amor que sentimos naquele momento.
Ter o meu filho em casa foi sem dúvidas uma das experiências mais emocionantes da minha vida e sem dúvida me modificou como mãe, esposa e mulher, agora me sinto plena. Dei à luz o meu filho com prazer, num ambiente cheio de amor, carinho e principalmente respeito à este momento tão especial e divino na vida de uma mulher.
Obrigada a minha Nossa Senhora das Graças, pela força emanada em mim, obrigada Mary por ter me assistido e me proporcionado uma das experiencias mais lindas da minha vida, obrigada a Paula - Mary não mentiu quando disse que ela seria a parte doce da história, tão cuidadosa...E por fim agradeço ao meu amor, meu amigo e meu cúmplice por ter desde o início me acompanhado e me apoiado nesta ideia que se tornou uma realidade tão maravilhosa.
Assinar:
Postagens (Atom)
















