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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Período pré-parto





















Por Vivian Fraenkel

Durante as últimas semanas antes de dar a luz, meu corpo estava pedindo que me liberasse de todos os tipos de obrigações e preocupações. Isso não significava que queria ficar parada por completa, mas sim que queria fazer o que tinha vontade de fazer. Para que eu pudesse vivenciar esse último momento intenso de abrigar o bebe internamente, me ocupei durante três meses com a formação de monitores que pudessem dar continuidade ao trabalho de Shivam Yoga aqui no Núcleo Kriya de Shivam Yoga, o que significava planejamento, dedicação e trabalho intenso. Com a disposição de uma equipe MARAVILHOSA de alunas que freqüentam o núcleo, chegamos juntas ao objetivo e assim encerrei minha atividade profissional quase um mês antes da data prevista do parto.
Passei a primeira semana de “licença maternidade” em casa, vendo como fluirão as coisas – e presenciei tudo se encaixando na maior harmonia e comecei a relaxar imediatamente. Mesmo gostando muito do meu trabalho, deixar a responsabilidade na mão de outros liberou minha energia para dar atenção ao desenvolvimento da criança, intensificar minha relação, preparar o que estava faltando, relaxar fisicamente e em todos outros níveis de minha existência.
Minha relação com a natureza é muito forte e tive a grande sorte de ser convidada para passar uma semana na casa da parteira Mary Galvão na Ilha Itaparica. Assim vivenciei muitos banhos de mar, longas caminhadas na maré baixa, sol, vento, comida natural, água de coco – tudo que meu coração, corpo e espírito estavam precisando. Encontros com grávidas, mães de recém nascidos, filhos de três semanas, dois meses, cinco anos... Tendo uma maior aproximação com a doula Júlia Gonçalves trocando experiências, aprendendo, se preparando. Sinto que um mês é um período bom para dedicar-se exclusivamente ao final da gravidez com todos seus processos físicos, energéticos, emocionais, mentais e espirituais, na busca de um equilíbrio próprio, conectando-me comigo mesmo, com a criança, com as pessoas que estarão perto durante o próximo tempo, visualizar o parto e o pós parto, criar um campo de energia sereno e positivo para a chegada do novo ser.
VIVA A VIDA!
VIVA A FORÇA, A ENERGIA E O PODER DO UNIVERSO!

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Vivian na Ilha de Itaparica








Por Mary Galvão

A despedida do Barrigão!



Talvez as fotos  possam expressar  com sua luz e cores, o nível de relaxamento que o cenário  pode promover!

Acredito e defendo um tempo livre no período que antecede o parto. A gestante necessita de um espaço para se preparar física e emocionalmente para seu novo papel...

Geralmente nas  semanas que antecedem o parto, a  gestante entra num nível de ansiedade que carece ser identificado para ser minimizado com recursos simples e de fácil acesso. 
Uma sugestão é que ela possa se afastar de seu espaço domésticos onde seus vários  papéis  llhe impõem muitas decisões e tarefas cotidianas que somadas as alterações próprias deste período, causa cansaço físico e emocional.

Nas últimas consultas de pré-natal elas verbalizam clara e enfaticamente a necessidade de descansar para o parto. Além disso, neste período a expectativa do parto e do papel de maternagem se sobrepõe a todas as outras responsabilidades domésticas. Neste momento, gosto de  saber  qual seria seu sonho de consumo com relação ao descanso merecido. Muitas  gestantes  desejam um lugar calmo, para que possam se aquietar e relaxar plenamente.

No caso de Vivian, ficou claro sua paixão pelo sol, pelo mar e tudo que vem da natureza!
Por isso, lhe convidei para ficar uns dias na Ilha, onde tenho uma casinha. Lá seria possível limpar o seu stress da cidade grande com o tradicional banho de alfazema e rever seus sentimentos com a serenidade que ócio permite.

No domingo  pela manhã Vivian  chegou  para o almoço de acolhimento. Sorridente e disposta, ela queria mergulhar nas  águas limpídas  e mornas do mar azul de Itaparica, desfrutar da cozinha -  espaço sagrado da casa - onde podemos brincar de misturar e provar  de novos sabores! 

Vivian cozinha como uma grande mestre! Ah se pudessem provar de seu pão de inhame com alho e côco!  Delícia para poucos... E lá está ela, há 5 dias brincando de descansar, dando um tempo prá si mesma, prá seu corpo, seu coração e sua vida! Acorda cedo prá caminhar, catar búzios e corais na praia de ponta de areia ... quando retorna de seu passeio  matinal, chega ainda mais disposta e feliz.. cai na rede prá cochilar e ler tudo que lhe cai nas mãos...

Às vêzes me conta seus sonhos,  sua experiência com o  Tantra Yoga, fala com reverência de seu Mestre, outras noites queremos trocar massagem, as vezes   comigo, outra noite   com  Julinha, sua doula querida.

Percebo que ela  também foca  sua atenção em seu bebê, estreitando os  laços amorosos  através de cantos e contos de ninar  em alemão.
Ontem nós tivemos a companhia de outra barriguda de lá mesmo da Ilha, adolescente e bem inocente ainda, Elisama parecia desfrutar da alegria que Vivian lhe transmitia, as duas juntas estavam livres, sorridentes, nadando e experimentando a beleza de maternar um útero quente e pleno de afeto. 

Ao final da tarde fomos pegar água na bica e aproveitar o belo dourado da luz do  por do Sol, ela ainda dispunha de  muita energia prá praticar seus Asanas...Quando chega a noite ela quer deitar na rede para contemplar o céu estrelado e gozar da brisa que vem do vento noroeste!

Ah se todas as gestantes tivessem a consciência da importância desse tempo que é só seu, único e incomparável como qualquer outro tempo da vida, mas que precisa de uma atenção especial de quem cuida desse período... Estar quieta para se permitir uma despedida amorosa de seu ventre iluminado é por demais merecido!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011





Estamos entrando na 41ª semana de gestação. Um momento muito especial, de despedida da barriga (esta deve ser a minha última gestação), de expectativa pela chegada de mais um filho, de ansiedade para finalmente segurá-lo (ou, segurá-la) nos braços.

Sim, não quis saber o sexo do bebê. Pessoalmente acho estranha a necessidade que se tem atualmente de saber se é um menino ou uma menina que está para chegar. Geralmente, independente de nossa vontade, o desenvolvimento do embrião ocorrerá. Com todo o seu esplendor e potencialidades. O nome? A decoração do quarto? A cor do enxoval? Como fazer? Rosa ou azul? Sinceramente, nada contra, até bem a favor, de quem curte a beleza desses detalhes. Também fico maravilhada diante de um quartinho de bebê super-bem-decorado... Mas, prefiro dar prioridade a outras questões. Seja menina ou menino, o bebê que está para chegar é uma pessoa diferente de suas irmãs, não vai dar a mínima para a decoração do meu quarto (porque vai passar um tempo compartilhando o quarto comigo e com o papai), e o seu nome já está definido (foi surgindo, secretamente e só anuncio depois que a pessoinha chegar). Precisará de uma mãe inteira, disposta a aconchegá-lo(la) e amamentá-lo... Os paninhos, roupinhas e acessórios couberam todos em duas gavetas do meu guarda-roupa, gentilmente cedidas. Aliás a irmã mais nova também cedeu uma gavetinha da sua cômoda para as fraldinhas de pano. Porém, preciso confessar um pequeno desvio de conduta: confeccionei lembrancinhas de maternidade. No meu caso, creio, com o parto domiciliar, serão "lembrancinhas de nascimento". Não resisti a essa "peruísse" de mãe moderna.

Mudando de assunto, faz umas três semanas que precisei me afastar do mundo. Cansaço, dores musculares e uma necessidade enorme de dar um tempo na correria do cotidiano. Sou mãe, estudante (de Enfermagem, voltei para a faculdade aos 36 anos), professora de adolescentes (lindos!) e doula/assistente perinatal (com Mary). Mas como é difícil fazer isso, afastar-se do mundo... As atividades, os acontecimentos, as obrigações, as demandas sociais e afetivas continuam chamando a atenção. Desse modo, apesar da tentativa de relaxar, continuei cansada e estressada. Às vezes, uma megera insana... Fui salva por minhas amigas/parteiras queridas, Mary, Marilanda e Adriana. Passei dias maravilhosos na Ilha de Itaparica, com direito a tratamento de rainha, mar, sol, incensos, massagens, abraços, carinhos, conversas cabeça e conversas besteirol total. O mais importante? Sentir-me acolhida, protegida, cuidada... Serei eternamente grata a estas amigas por esses dias tão especiais.

Chegamos ao final desta postagem. E agora? Agora estamos no final, eu sentindo contrações que variam em intervalos d 10-15 minutos. Incômodas e começando a sentir dor. Pouquinha dor, no pé da barriga e nos quadris. Sinto que preciso me movimentar, caminhar. E dar um tempo da pressão do "tempo que está acabando"... Tenho reforçado para mim mesma que é possível e natural esperar pela hora real do nascimento. Pelo nosso tempo. Talvez essa "demora" seja devida à necessidade de resgatar o tempo que faltou para que o nascimento de Letícia (minha segunda filha) acontecesse espontaneamente. O momento também é de aprendizado.

Ontem fizemos uma despedida da barriga, aproveitando a visita de Mary (que me ajudará na recepção do bebê) e de Ula, uma amiga muito querida, antropóloga, defensora da nossa causa, o parto natural, e, claro, super-inteligente e gente boa. A barriga foi transformada numa tela, dividida ao meio, e as meninas expressaram as suas bênçãos e criatividade para o bebê.

Fico por aqui. Espero que, quando escrever novamente, seja para contar sobre o encontro entre eu e meu bebê querido. Pensamentos positivos!



quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Convite!

Salvador, 13 de setembro de 2011.

Fui chamada por Mary para uma conversa há algum tempo, mas não estávamos em sintonia e não nos encontrávamos. Num certo momento pensei e automaticamente liguei. Consegui.
Nos encontramos no dia e horário combinado e fui surpreendida por um convite muito especial. Trabalhar como Ajudante Peri-natal por um tempo enquanto Liliana curte seu momento mãe. Realmente a sintonia tão forte que Liliana ligou e pude então pedir permissão, mesmo por telefone, para tentar substituí-la.
Tínhamos nos visto apenas uma vez num momento de aprendizado em uma oficina para gestantes, mas mesmo assim percebi que ela não estava bem, perguntei se queria minha ajuda, e ela recusou, fiquei sem graça, mas me colocando em seu lugar, como eu reagiria a invasão de uma estranha em meu território?
Mary a propôs sair para caminhar na praia, gostei da idéia e me ofereci para acompanhá-la, só que dessa vez sem pedir permissão.
Fui em casa, me organizei, afinal também sou mãe, e munida de biquíni e boa vontade saí para encontrar Liliana de surpresa. Chegando ao endereço liguei para saber qual era a casa e descobri que ela havia saído. Resolvi procurá-la aos redores e a vi, estava com uns óculos escuros enormes e um barrigão lindo! 
Nos abraçamos e saímos caminhando. Mostrei que estava de biquíni, e Liliana resolveu também vestir o seu.
Passamos a tarde toda conversando, trocando experiências e boas energias. A beira da praia, sentadas na areia, sob um céu maravilhoso descarregamos nossas energias para que as ondas levassem para onde não pudesse nos fazer mal.
Com um abraço nos despedimos no final da tarde e quando já estava em casa, embaixo do chuveiro refletindo sobre tudo que aconteceu, entendi a importância da oportunidade que fui presenteada. Senti o que “doular”.
É permitir prestar atenção, é uma troca de energias, é doação mútua. É entender que enfrentando nossos problemas e angústias podemos ajudar o outro a também enfrentar. É ver que se impor diante de situações limite e encará-las é prazeroso.
Dizer ao outro o que sente, desabafando é saudável.
Parir é mais que o ato fisiológico, é renascimento.
Ser mulher é maravilhoso!


Vamos lá Liliana!
Obrigada Mary, amei!

Júlia Gonçalves